sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Palavra da Coordenadora...

(Carol - coordenadora do Ministério Jovem Sopro de Vida
responde a um irmão evangélico que usou o blog
para insultar nossa Fé).


Ao nosso amigo e irmão protestante:

Primeiramente existe uma diferença básica entre adorar e venerar, isso vc e quem mais tiver interesse pode procurar no dicionário Aurélio. Bem, não tenho a intenção de ofender ninguém, pois respeito muito os protestantes por sua cristandade, e nem de fazer com que mudem de idéia ou de opinião Por isso não quero gerar nessa resposta uma discussão, pois nem vcs protestantes e nem eu estamos dispostos a mudar de religião. Mas se esse dia chegar, ai então poderemos conversar abertamente. Entretanto não poderia deixar de expressar a minha opinião e, desde já, desculpa se ela é diferente da de vcs, protestantes. Vou utilizar uma passagen do Velho Testamento, porque acho que é o que vcs confiam mais, pois demonstram esquecer que Jesus veio transformar tudo o que era velho em novo. Em Isaías 7, 14, Deus nos faz uma promessa, e creio que vcs acreditem nas promessas de Deus, "que uma virgem conceberá e dará a luz á um filho... Jesus”; agora vamos usar a racionalidade que Deus nos deu: como uma pessoa do sexo feminino, seja ela virgem ou não, dará a luz a um filho e não será mãe dessa criança? Creio que a razão explique.

Agora usando a mesma passagem que vc, não me surpreendo que tenha interpretado mal, afinal há coisas que a inteligência humana não é capaz de entender, e talvez a sua seja uma dessas, mas vou tentar te ajudar, certo? Bem, Jesus tinha uma relação com os seus (seguidores, irmâos, amados, amigos, ou a palavra que vc achar melhor), de confiança, confiança essa que talvez vc não entenda, então imagina como seria a sua genitora, a sua amada mãe, como não seria essa relação?! Jesus não teve receio e muito menos desconfiança de que se usasse sua mãe como exemplo de amor ao proximo, a sua mãe, como se diz hoje, não se chatearia, pois ela e Jesus tinham construído uma relação de confiança. Mas talvez vc não entenda mesmo, pois afinal, no mundo em que vivemos, a mãe vem em primeiro lugar, não é isso? Quem ousaria por livre e espontânea vontade magoar a mãe de propósito? Quase ninguém, pq não construimos em nossos lares essa relação de confiança e eu me incluo nessa, pq também não construí 100% uma relação de confiança com o meu próximo. Mas Jesus, por onde passava, ia construindo essas relações, e por isso não teve receio de usar a sua família pra pregar o evangelho que lhe foi confiado.

Mas não me espantarei se não compreender, mas não tem problema, quer você aceite Maria ou não, ela te ama do mesmo jeito.

Agora, sobre se seremmos salvos ou não, creio que não cabe a você julgar, ou me perdoe se não sei que Jesus já lhe deu essa autoridade, mas na incerteza creio que vc e outros protestantes que não respeitam a fé alheia, não se tornem juízes da fé dos outros, para não pecarem.

Agora como bons cristãos que somos, rezemos uns pelos outros como jesus nos ensinou. “Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o Teu nome, venha a nós o Vosso reino e seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mais livrai-nos do mal". Amém.

Paz de Jesus e proteção de Maria! Hoje e sempre!


(Carol Lima - Coordenadora do Ministério Jovem Sopro de Vida)

Banda Dominus - O amor



(http://www.youtube.com/watch?v=T9JSN2iKL3Q)

As armas contra o inimigo


O demônio tenta nos enganar de várias maneiras

Muitos cristãos, ao tomarem a decisão de seguir ao Senhor, pensam que vão ter uma vida mais tranquila. Mas a verdade é o contrário, pois o demônio não tem interesse em atacar os que não são seguidores de Cristo. Até mesmo os santos foram perseguidos. O interesse do maligno é colocar obstáculos na vida daqueles que decidiram seguir o Senhor.

Isso não é motivo de nos levar a uma crise. Não temos motivo para temer o inimigo, pois ele já foi derrotado. O demônio é que tem de ter medo de você, e a razão é simples: nós somos filhos e filhas de Deus, herdeiros do Reino. O maligno tem muita raiva, porque aquilo que foi dado a ele uma vez, agora é dado a nós. Ele tenta nos enganar de várias maneiras, mas tem uma técnica que ele usa frequentemente para nos atacar: é o desânimo, o desencorajamento. O desânimo não vem de Deus, sempre vem do inimigo, daquele que nos faz desistir de ir em frente.

Vamos olhar para São Pio de Pietrelcina. Quando um analista do Vaticano disse que ele era um psicopata, este santo entrou numa crise tremenda. Ele olhou para seus estigmas e se questionou se tudo era falso. Madre Teresa de Calcutá, no seu leito de morte, também viveu uma grande crise ao sentir o amor de Deus longe dela. O bispo teve de enviar um exorcista até ela e convencê-la de que aquele sentimento não vinha de Deus.

É muito normal que também nós vivamos esses momentos de crise. Seguir Jesus num momento de entusiasmo é fácil, mas continuar O seguindo nos momentos de sofrimento é difícil. O inimigo virá tentá-lo quando você estiver se sentindo fraco, cheio de medos, com raiva, ansiedade, tristeza. É nosso papel lutar contra essas táticas que ele usa para nos desanimar. A tática que ele também utiliza é nos apresentar meias verdades, porque o demônio é um mentiroso, enganador, trapaceiro. Ele nos apresenta algo que parece muito bom, quando, na verdade, é muito ruim.

O maligno diz que por causa dos seus pecados, você não consegue fazer nenhuma tentativa para ser mais santo. Muitas vezes nós pensamos que as tentações são somente relacionadas ao sexo, à raiva, aos sentimentos de ódios. Essas são grandes tentações. Mas temos de estar atentos a uma grande tentação que é não fazer a vontade de Deus.

O inimigo faz de tudo para que nós saiamos do caminho da vontade do Senhor. Ele ousou tentar Jesus a desobedecer ao Pai, quando O levou ao alto do monte e mostrou-Lhe as cidades, dizendo que elas pertenciam a Ele [Jesus]. A tentação do inimigo a Cristo era muito atraente. O Pai dizia para o Filho ir para a cruz e o inimigo pedia que Ele desobedecesse ao Pai e tomasse posse daquelas cidades. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo diz: “Afasta-te de mim, satanás. Eu adoro somente ao Pai”.

Irmãos e irmãs, será uma luta até o fim de nossa vida, mas se nós usarmos as armas não precisaremos ter medo nenhum. A primeira arma é a Eucaristia. O inimigo treme diante da Eucaristia, porque ela é sinal de humildade. Jesus quis, por um momento, aniquilar a Si mesmo, entrando nas espécies do pão e do vinho para ficar perto de nós. Uma outra arma forte contra o inimigo é o Sacramento da Confissão. Este sacramento é mais poderoso do que a própria oração do exorcismo.

Momentos de desânimo podem acontecer em nossas vidas. Quando isso acontecer se agarre a Virgem Maria. Um jovem teve uma visão na qual ele precisava construir uma barco para atravessar o oceano. Enquanto ele construía este objeto as pessoas diziam que ele não iria conseguir e que ele não conseguiria vencer a fúria do mar. Até que aquele rapaz terminou de construí-lo e começou a remar em direção à longa jornada no oceano. Mas um amigo disse a ele: “Meu amigo, tenha coragem. Seja forte!” E aquele jovem olhou somente para aquele homem que estava dando força para que ele continuasse. E toda vez que ele sentia o desânimo se aproximar ele se lembrava daquelas palavras do amigo.

Muitos poderão nos chamar de doidos, de loucos, mas há uma Maria que está gritando em nossos ouvidos: “Boa viagem! Não tenhais medo do inimigo. Não desanimem porque a vitória é nossa. Uma vez que Jesus Cristo derrotou o inimigo, com o Senhor nós também o derrotaremos.” A Santíssima Virgem Maria nos diz hoje: “Eu estarei com vocês. Não tenham medo. Vão em frente. Vocês serão vencedores!”

Rogue pela intercessão da Mãe, clamando: Maria, nós cremos em Ti, porque Tu és nossa Mãe. Nenhuma mãe deixará o filho em perigo sem dar a ele uma mão, sem ajudá-lo. Maria, sabemos que Tu estás conosco, e por causa de Ti nos sentimos seguros.

Nossa Senhora nos diz: “Faça tudo o que Ele lhe disser. Vá em frente. Não desanime!

Lembre-se das palavras de Jesus: ‘Eu sou, porque nada é impossível para aquele que crê’”.


Frei Elias Vella
Franciscano conventual, líder da RCC na Ilha de Malta

Quando sou fraco é, então, que sou forte

Antônio Carlos, fundador da Comunidade Jesus Menino
Foto: Wesley Almeida/ Fotos CN

Esta é a sétima vez que a Comunidade Jesus Menino vem à sede da Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP). Viemos falar sobre o nosso trabalho e do mistério de cuidar dos pequeninos do Reino de Deus com problemas especiais.

Para começar, abra a sua Bíblia na II Carta de São Paulo aos Coríntios 12, 7-10:

“E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.

Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte. Essa passagem sempre lemos quando vamos falar do nosso trabalho. Não somos um povo grande, queremos ser pequenos mais fiéis. Nossa intensidade de coração é levar a mensagem ao mundo que os deficientes também são filhos de Deus”.


Hoje é o Dia Nacional das Pessoas com Deficiência e é essencial mostrar a importância delas na sociedade. Muitas vezes, o governo e até mesmo a Igreja as esquecem. Neste ano eu passei por sérios problemas, tive depressão, fiquei muito triste. Mas descobri que quando sou fraco é, então, que sou forte, como nos ensinam as Sagradas Escrituras. Deus me mostrou que nem com os meus pais doentes e meu sobrinho na cadeia eu iria desistir da vida, embora essa fosse minha vontade no início. Entreguei minha vida ao Senhor e Ele não me decepcionou.

"Todos nós temos um pouco de deficiência, não somos perfeitos"
Foto: Wesley Almeida/ Fotos CN

A minha maior graça foi nos momentos de medo, nos quais Deus veio me socorrer. Por algum tempo, eu senti na pele o que os meus filhos especiais sentiam: tinha medo de dormir, sentia uma angústia grande... Eu não sabia por que o Senhor permitiu que eu vivesse essa dor tão forte, mas hoje eu sei: Jesus nos permite sofrer para mostrar como somos fortes e podemos vencer n'Ele e com Ele.

Cristo é o médico dos médicos e nada que uma boa oração não resolva. Todos nós temos um pouco de deficiência, não somos perfeitos. Não os menospreze, pois, lembre-se de que você também é um deles.

Eu encontrei – na dor e na tristeza – a Misericórdia de Deus! E pude perceber que, realmente, nós também somos fracos e deficientes em algumas partes da nossa vida. Mas, na dor, podemos descobrir uma força inimaginável para lutar.

Eu já vim aqui várias vezes para contar a história desses garotos que a Comunidade Jesus Menino cuida, mas hoje vim aqui falar da minha deficiência. O Senhor sempre vem ao nosso socorro, não O abandone por causa da sua dor!

A [comunidade] Jesus Menino é um caminho de salvação e quer trazer esse testemunho. Depois de tudo isso pelo qual eu passei neste ano, fiquei muito mais forte na missão. Jesus permitiu que eu sofresse para que qu visse minhas misérias e sentisse na pele o sofrimento. E também para me mostrar que Ele tudo pode.

Transcrição e adaptação: Ariane Fonseca

O Senhor tem uma vocação e missão para cada um de nós


“Passando ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André, irmãos de Simão, lançando a rede ao mar: eram pescadores. Jesus lhes disse: 'Vinde em meu seguimento, e farei de vós pescadores de homens.' (Mc 1,16-17).

Jesus passa também pelo "mar" onde nos encontramos hoje. Lança o olhar sobre você, como lançou sobre Simão e André. Seja qual for sua profissão: dona-de-casa, pedreiro, estudante, mecânico, digitador... mesmo que você não a tenha definido ainda... saiba que mais do que uma profissão, ou simplesmente um trabalho, o importante é seguir uma vocação.

O Senhor tem uma vocação e uma missão para cada um de nós, como tinha uma vocação e missão para os seus apóstolos.

O Senhor quer usar a sua profissão para resgatar pessoas. Se você é dona-de-casa, você pode pescar seu marido, seus filhos, seus vizinhos, suas amigas... e muita gente que você nem imagina! Seja qual for a sua profissão, qualquer que seja seu trabalho, você pode fazer dele uma “rede” para pescar muitos para Deus. Você é chamado a pescar em outro “mar” e fazer de sua profissão uma “rede”.

Muitos adultos e jovens, das mais variadas profissões, se encontraram com o Senhor; sentiram seu chamado e quiseram segui-Lo. Acharam, porém, que o jeito de segui-Lo era deixar a própria profissão... abandonar o próprio trabalho... e tudo acabou dando errado... Não se trata de mudar de profissão e muito menos de abandonar o trabalho. Trata-se de buscar “outro mar” e com “a rede” da profissão “pescar homens” para Deus.

Deus abençoe sua vocação e missão,

Seu irmão,

Monsenhor Jonas Abib

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Deus não conta com você, Ele espera somente por seu sim!

DEUS NÃO PRECISA DE MIM, DEUS ME QUER!!!

No final deste mês vocacional não queria ser insistente contigo, apenas queria lhe oferecer uma breve partilha Daquele que insistiu conosco, e olha que não foi pouco.

Sua insistência me trouxe até aqui, a essa nova condição de vida. “Não fostes vós que me escolhestes, foi eu quem vos escolhi” (Jo.15, 16).

Falo a você jovem vocacionado(a) porque também sou vocacionado.

Na verdade a palavra vocação do verbo latino vocare, que quer dizer chamamento, refere-se a uma voz que cala e permanece ao coração. Independente da etapa onde nos encontramos, seja fora, dentro ou “em cima do muro”, sempre seremos vocacionados a essa voz que chama: “vinde e vede” (Jo.1 38,39), “se queres ser meu discípulo renuncia a si mesmo…” (Mt.16. 24,28), “apascenta meu rebanho” (Jo.21, 15), “eis que estou a porta e te chamo, se escuta minha voz cearei contigo” (Ap.3, 20), etc.

Sobre essa voz só tenho a dizer que é incomodante, porque não há como correr, afastar-se dela. Por mais que fechemos nossos ouvidos, ela calará ao coração e tudo que chega ao coração faz morada permanente, basta lembrarmos de nossa última “paixão”.

A minha foi o Senhor e é até hoje, pois, tudo Ele faz, a fim de conquistar-me. “Seduzistes me Senhor e eu me deixei seduzir, numa luta desigual me dominastes e foi tua a vitória” (Jr.20. 7, 9).

Quem sabe meu amigo(a) essa voz está te acompanhando já faz algum tempo, e mesmo na “baladinha” ela é muito mais alta que o som pesado que ouve e ao ir embora, é sua companheira inseparável.

Podemos até não dar ouvidos hoje, pois amanhã ela pode se levantar com mais força ainda, e o mais triste será, quando percebemo-nos em outro lugar e situação já bem definida, não havendo mais como retornar. Soubestes colocar grades que impedissem seu acesso, mais ainda hoje ela grita sem poder sair, e ser o que Deus sempre quis que ela fosse, ou melhor, o que você fosse.

Bem, sem me prolongar no sermão, esse título acima pretende, lhe explicar melhor a beleza que é ser de Deus. Quero que tu olhes pela via positiva desta frase, senão daremos as mais antigas desculpas do qual esse “pneu da frente”, já está careca de se usar, pois Deus sempre ouve essa mesma “ladainha dos desculpados”: sou vocacionado, tende piedade de nós, hoje não dá, Jesus Cristo ouvi-nos, nunca vou conseguir, Jesus Cristo atendei-nos!

Caro(a) irmão(a), toda relação de amor sincero a dois, exige liberdade de ambas as partes. O jogo de liberdades da relação entre Deus e o ser humano é confuso em primeiro instante. Essa relação com o Senhor, denomina-se de assimétrica, ou seja, há uma diferença enorme entre a liberdade divina e a humana, contudo, a liberdade de Deus será sempre maior que a nossa.

Tudo que fazemos forçado não é plausível nem para nós, e muito menos para o outro que vê o nosso mal interesse em certa finalidade. Ao perguntar o que Deus quer de sua vida, qual é a sua vocação, saiba então, desde já, que a liberdade de Deus é bem maior que a sua.

Ele o Soberano de tudo, te deixa mais do que livre para responder sim ou não. Deus não vai irar-se consigo por não responder a um chamado, a uma oferta amorosa. Conhecemos bem aquela frase usada em nossas pregações: “Deus sem você, continua sendo Deus, você sem Deus continua sendo nada”. Pois o homem só encontra seu pleno “habitat” em Deus.

Vamos, quem sabe, descobrir o desenrolar de tudo isso, quando olharmos alguns personagens bíblicos e vermos como isso funciona. A Virgem Maria é o modelo dos(as) vocacionados(as).

Se a vida vocacionada religiosa ou secular ministerial é uma relação dinâmica entre Deus e o homem que se tocam continuamente, vivendo em uma perfeita comunhão, em Maria, a Virgem de Nazaré, vemos o modelo-arquétipo de todo o ser humano que é convidado, chamado a essa compenetração com o divino por meio da graça.

Falando em graça, Ela, Maria a mãe de Deus, foi e é a cheia da graça. Com isso queremos dizer que ela não fora escolhida por Deus, por mérito próprio, humano, pois ela mesma denominou-se a menor, a escrava. Então, o que fez com que Maria dissesse seu sim? Logicamente a receptividade por ser a escolhida.

O conceito na teologia diz que a graça é dom doado (é próprio de Deus doar) e também é dom recebido (é próprio do homem receber). Maria é a nova Eva por causa de sua receptividade ao Senhor. Em Eva há uma reposta negativa (não), em Maria uma positiva (sim). O sim originário pedido desde a criação encontra sua expressão maior em Maria. Como criatura, Ela participa do ser de Deus, e antecede a cada um de nós seres humanos.

Portanto, o que é doado a um, é doado ao outro, a graça é semelhante para todos, mesma é a graça, mesmo é o Espírito, a diferença esta na receptividade do dom. Porém, sempre haverá um ser humano livre para duvidar e outro para acreditar. Qual é a sua resposta?

Muito bem, esse breve conceito teológico e catequético é justamente para responder algumas de nossas perguntas referentes a nossa vocação, talvez aquela mesma que Maria fez ao anjo Gabriel: “Como se fará isto?” (Lc.1, 34).

Entre a voz do chamado (divino) e a nossa resposta (humana), temos que dar espaço a moção do Espírito, pois fora através Dele, desse poder fecundante que tudo se sucedeu a Maria. “E , respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra.” (Lc. 1, 35). Só no Espírito que é a graça de Deus, podemos responder a tão grande chamado. É por meio Dele que devolvemos nossa resposta sincera. Não há outro, nunca seremos capazes sozinhos, por vontade e força propriamente humana.

É Deus quem privilegia a criatura, não ela mesma. Assim vamos entender o que quer dizer o título desse texto. Deus não precisou de Maria, Deus quis Maria! Se Deus somente quisesse precisar de Maria, certamente cairíamos em um dos diversos comentários que fazem nossos irmãos separados (os protestantes), ao referirem que Deus utilizou-se dessa mulher somente para dar a luz a seu Filho, o Filho de Deus, não, o Filho de Maria também. Talvez tivesse Deus usado de Maria como “barriga de aluguel”. Que termo baixo, não?! Deus nasceu de uma mulher sim, mas, não de uma qualquer. “E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo: bendita tu entre as mulheres”. (Lc.1, 28).

Às vezes podemos até justificar nosso chamado vocacional a fim de auxiliar outras pessoas, colaborando assim com a obra redentora, mas, mais do que isso, ainda insisto em dizer: Deus não precisa de você, Deus te quer! Deus não precisa de sua resposta, somente conta com seu sim. Desde a eternidade Ele te espera, para ser Dele não para Ele.

O que me faz consagrado não é o que faço, ou o que visto, isto é mera aparência, o que me faz consagrado, é ser um com o sagrado, isso é essência. Isso é plena comunhão que se toca diariamente, o seu divino com meu humano e meu humano com o seu divino.

Se Maria dissesse não, certamente Deus em sua infinita sabedoria teria outros meios para nos redimir. Então, mais do que precisar, Ele quer! Isso já deve ser uma grande diferença em nossa concepção vocacional.

A pré-disposição para amar somente a Deus e ser somente Dele pressupõe a pré-disposição para fazer algo dentro de um carisma. O ser será sempre antes do fazer. Amamos o pobre, o moribundo, o dependente químico, o detento, a “madalena”, porque, antes de tudo isso, Deus nos amou por primeiro e agora fazemos tudo isso, porque, também antes, amamos a Deus. Contudo, o próximo sempre será conseqüência desse amor.

A expressão mais bela disso que estamos falando revela-se na Santíssima Trindade, três pessoas em uma relação pericorética (dança de roda, ciranda de amor) que se amam mutuamente, e externa o seu amor ao nos criar. A criação é fruto do amor trinitário. O amor é sempre em vista do outro, do contrário, seria egoísmo. O amor é movimento, dinamicidade e ação. “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é caridade” (I Jo. 4, 8).

Se assim é caro(a) vocacionado(a) finalizo esse papo contigo desejando e rezando para que faças o mais correto. Se há uma voz que chama a uma intimidade maior com o Senhor, não ousas em dizer não, lembre-se que a graça é dom doado e dom recebido. A graça é a mesma, mas, diferentes são as receptividades.

Queres um conselho? Não confie mesmo em você não. Deus não conta com você, Ele conta somente com seu sim. Dê o passo primeiro, pois Ele vos ajudará e estará contigo em todas as situações e lugares.

“Por isso dar é muito, agora saber dar é tudo” São Pedro Julião Eymard

Espero que essa Voz te incomode o quanto for preciso, que ela diga a cada instante como disse a beata Madre Teresa de Calcutá em suas locuções interiores: “Vais recusar?”

Deus abençoe sua coragem em dizer sim ou não.

Se fores responder, responda pelo amor.
Pois é o amor que nos manterá.
Por amor somente por amor somos de Deus e não de outro(a).
Por amor somos castos, pobres e obedientes.
Por amor, “o meu Amado é todo meu e eu sou Dele” Ct. 2, 16

Ir. Gabriel Eliseu dos Pobres
Religioso da Fraternidade O Caminho
“Fraternitas São Miguel Arcânjo” - Santo André/SP

Seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir! (Jr. 20, 7)


Que bom, amigo é Cristo! E que bom, mestre é Jesus! Que bem ensina generosamente e enriquece no amor e nas virtudes as pessoas que achegam a Ele e se esmeram em estar com Ele.

Nós formandos da Forania Nossa Senhora da Assunção, tivemos nosso retiro na segunda semana de agosto. Quem ministrou o retiro para nós foi nosso Forânio Ir. Raphael Estevão da Santa Cruz. O retiro fora realizado na Casa de Retiro Tabor, da Diocese de São Miguel Paulista.

Foi uma oportunidade para renovar as nossas forças, na nossa batalha em construir o bem e levar o evangelho vivo através do nosso testemunho. O retiro é um momento especial para nos encontrarmos mais intimamente com Deus e para viver a vida fraterna com os irmãos de outras missões, buscar o recolhimento e deixar-se conduzir pelo silêncio que nos leva a dois encontros: O encontro conosco e o encontro com Deus.

O recolhimento é o segredo da oração. Este é o lugar primeiro onde a pessoa deve buscar a Deus, no mais profundo do próprio ser.

Os homens vão ao estrangeiro para admirar as alturas das montanhas, as ondas fortes do mar, as largas torrentes dos rios, os monumentos históricos e as construções luxuosas e não olham para si mesmos…

O mundo vive a crise de identidade. As pessoas não se conhecem. Vivem das superficialidades, do movimento da massa, vive em conseqüência do momento e das transitoriedades que os cercam. A perda da identidade é justamente o esquecimento do valor como pessoa, da condição que nos assegura sermos prediletos de Deus.Quanto mais conscientes do que somos, faremos e seremos homens e mulheres mais realizados, prontos para o desafio de transformar o mundo.

Portanto, quando colocamos nossa atenção e desejo em Deus nos unimos com nosso entendimento e com nossa vontade a Deus.

Recolher-se, quer dizer, esforçar-se ativamente para dentro, e nesse ato, atender a Jesus vendo-o dentro de si mesmo ou junto a si. Prestar humilde atenção Nele vendo-se emergido Nele.

A pessoa se une ao Criador pela força da fé. Deus pela fé comunica um mais alto entender e uma mais perfeita união. A fé une a Deus. E Esta união em amor que preenche o vazio entre o Criador e a criatura, união com a companhia de Jesus e a sensação viva da Sua presença enchendo a alma e comunicando-se com ela, é o Altíssimo e Regaladíssimo fruto logrado e bem maduro da oração atenta, calada e sossegada que mira a Jesus dentro de si. Isso é espiritualidade. O mergulho no interior do próprio homem e do próprio Deus.

Seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir! (Jr. 20,7). Nós, formandos, em comunhão com nosso eu mais calmo, vivemos a expressão tão conhecida de Santo Agostinho: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova. Eis que procurava fora o que estava dentro de mim.”

“Ó Jesus Cristo, amável Senhor, por que, em toda a minha vida, amei, por que desejei outra coisa senão vós? Onde estava eu quando não pensava em vós? Ah! Que, pelo menos, a partir deste momento meu coração só deseje a vós e por vós se abrase, Senhor Jesus!” (Santo Agostinho)

O livro da Sabedoria diz que Deus se antecipa a dar-se a conhecer aos que o desejam (Sb. 6,13). Pode-se dizer que o paraíso de Deus é o coração do homem. Amor com amor se paga! Se o Criador se sente muito feliz em estar conosco, por que, então, não passar toda a nossa vida com Ele, uma vez que esperamos viver eternamente em sua deliciosa companhia?

Feliz o cristão que adquiriu o hábito de conversar familiarmente com Deus. A linguagem de Deus é a linguagem do puro amor. Ele fala no mais íntimo do nosso ser, onde habita o mais profundo silêncio. “Eu o conduzirei ao deserto e lhe falarei ao coração…” (Os. 2,16). Então, Ele nos falará pelas inspirações, luzes interiores, sinais de sua bondade, toques suaves que penetram o coração, certeza de perdão, penhor de paz, esperança de felicidade, alegrias íntimas, carícias de sua graça; é assim que sentiremos o abraço de um Deus que deseja seriamente a salvação de todos os homens.

Rogério Mendes
Fratérnitas São Miguel Arcanjo / Santo André – SP

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Banda DOM - Seu Amor é Demais



(http://www.youtube.com/watch?v=l3kYcl0UL-A)

Significado de alguns símbolos pascais


Durante a Páscoa, sempre escutamos palavras como Círio Pascal, Ceia do Senhor e outras, mas o que singificam litúrgica e etimologicamente essas palavras? Vamos descobrir?

INCENSO

O incenso de "incendere", "incender", é uma das resinas que produz um agradável aroma ao arder. Esta palavra latina dá também origem ao termo "incensário" (instrumento metálico para incensar), enquanto a raíz grega "tus", que também significa incenso, explica a palavra "turíbulo" (incensário) e "turiferário"(o que carrega o turíbulo).


O incenso se dá principalmente no Oriente, e já desde antigamente no Egito, antes de os israelitas chegarem era usado em cerimônias religiosas, por seu fácil simbolismo de perfume e festa, de sinal de honra e respeito ou de sacrifício aos deuses. Já antes em torno da Arca da Aliança, mas sobretudo no templo de Jerusalém era clássico o rito do incenso (Ex. 30). A rainha de Sabá trouxe entre outros presentes grande quantidade de aromas a Salomão (1Rs.10). Os cristãos no século IV introduziram o incenso na linguagem simbólica de suas celebrações, quando se considerou superado o perigo anterior de confusão com os ritos idolátricos do culto romano.


Atualmente, se incensa na missa, quando se quer ressaltar a festividade do dia, o altar, as imagens da Cruz ou da Virgem, o livro do evangelho, as oferendas sobre o altar, os ministros e o povo cristão no ofertório, o Santíssimo depois da consagração ou nas celebrações de culto eucarístico. Com isso se quer significar às vezes um gesto de honra (ao Santíssimo, ao corpo do defunto nas exéquias), ou símbolo de oferenda sacrificial (no ofertório, tanto o pão e o vinho como as pessoas).


JEJUM


Chamamos "jejum" (latim "ieunium") à privação voluntária de comida durante algum tempo por motivo religioso, como ato de culto perante Deus.


Na Bíblia no jejum pode ser sinal de penitênica, expiação dos pecados, oração intensa ou vontade firme de conseguir algo.


Outras vezes, como nos quarenta dias de Moisés no monte ou de Elias no deserto ou de Jesus antes de começar sua missão, marca a preparação intensa para um acontecimento importante.
O jejum Eucarístico tem uma tradição milenária; como preparação para este sacramento, o cristão se abstém antes de outros alimentos.


É na Quaresma, desde o século IV, que sempre teve mais sentido aos cristãos o jejum como privação voluntária da que existem em outras culturas religiosas ou por motivos religiosos.


O jejum junto com a oração e a caridade, tem sido desde muito tempo uma "prática quaresmal" como sinal de conversão interior aos valores fundamentais do evangelho de Cristo. Atualmente nos abstemos de carne todas as sextas-feiras de Quaresma que não coincidem com alguma solenidade; fazemos abstinência e além do jejum (uma só refeição ao dia) na quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa.

CÍRIO PASCAL

A palavra "círio" vem do latim "cereus", de cera, o produto das abelhas. Ao falar das "candeias" , aludíamos ao uso humano e ao sentido simbólico da luz que os círios produzem.


O círio mais importante é o que se acende na Vigília Pascal como símbolo de Cristo - Luz, e que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro adornado.


O Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da vigília. Em meio à escuridão (toda a celebração é feita à noite e começa com as luzes apagadas), de uma fogueira previamente preparada se acende o Círio, que tem um inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras alfa e Ômega, a primeira e a última letra do alfabeto grego, para indicar que a posição de Cristo, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos.

O Círio estará aceso em todas as celebrações durante cinqüenta dias, ao lado do ambão da Palavra, até a tarde do domingo de Pentecóstes. Uma vez concluído o Tempo Pascal, convém que o Círio seja conservado dignamente no batistério, e não no presbitério.


QUINTA - FEIRA SANTA

A quinta - feira santa é o último dia da Quaresma e por sua vez, a partir da missa vespertina, a inauguração do Tríduo Pascal. Em latim seu nome clássico é "feria V in Coena Domini". É um dia íntimo para o povo cristão, certamente a quinta - feira mais importante do ano, principamente desde que a da Ascensão e do Corpus Christi são celebrados no domingo.


É o dia em que Cristo, em sua ceia de despedida antes da morte, instituiu a Eucaristia, deu a grande lição de humilde serviço lavando os pés dos seus apóstolos, e os constituiu sacerdotes mediadores de sua Palavra, de seus sacraementos e de sua salvação.


CEIA DO SENHOR


O nome que, junto ao de "fração do pão", o dá por exemplo São Paulo em 1Cor 11,20 ao que logo se chamou "Eucaristia" ou "Missa": "Kyriakon deipnon", ceia senhoril, do Senhor Jesus. É também o nome que se dá a Missa atual: "Missa ou Ceia do Senhor" (IGMR 2 e 7)


Na Quinta-feira Santa a Eucaristia com que se dá início ao Tríduo Pascal é a "Missa in Coena Domini", porque é a que mais intimamente recorda a instituição desde sacramento por Jesus em sua última ceia, adiantando assim sacramentalmente sua entrega na Cruz.

Escrito por ACI


As seitas evangélicas e suas superstições


O Brasil é um país supersticioso. Na Bahia há um dito popular que exemplifica isso de forma jocosa e muito bem humorada: “80% são católicos, 15% são protestantes, 5% pertencem a outras religiões e 100% vestem branco às sextas-feiras”. A superstição está tão engendrada em nossa sociedade que chega a independer do nível sócio-econômico ou cultural. Entretanto, há quem se aproveite do espírito supersticioso do brasileiro de forma torpe e irresponsável, em questão, diversas seitas evangélicas.

Todos nós já escutamos nos meios de comunicação chamadas como: “dia do descarrego”; “meia-noite da libertação”; “noite da quebra de feitiços”, “dia do óleo santo de Israel”; “corrente dos empresários”; “culto da sexta-feira 13”. E alguns mais hilários como: “sexta-feira forte, desencapetamento total” ou “venha receber seu shampoo sagrado”. Este último, por sinal, quem vos escreve teve oportunidade de escutar.

Não raro, em programas de rádio ou TV dessas seitas, os “pastores” que apresentam tais programas, quando perguntados por ouvintes sobre as razões de seus infortúnios, respondem sem pestanejar: “Foi um feitiço, um trabalho, uma maldição que jogaram em você! Compareça a nossa igreja...”. Já se estabelece nesse curto contato uma relação de sugestionador e sugestionado, entre o pretenso "pastor" e sua vítima em potencial.

Termos como “descarrego” sempre estiveram tradicionalmente relacionados ao fetichismo e à magia, temas que sempre foram objeto de repúdio por parte do cristianismo. Qual seria então a justificativa para a venda de falsos objetos sagrados e da utilização de elementos da superstição popular por parte de seitas evangélicas em pleno século XXI? As respostas são várias, mas orbitam em torno de uma única motivação: dinheiro. Soma-se ainda uma tática covarde: a submissão da consciência dos fiéis a uma ótica atávica. Ou seja, ao invés de libertar mentes de crenças ancestrais que subjugam a verdadeira espiritualidade libertária do cristianismo, essas seitas perpetuam e disseminam a crença em supertições e fetiches, além de escravizar, inexoravelmente, seus membros a uma permanente relativização de sua relação com Deus.

Essa verdadeira escravização de mentes, é em parte responsável pelo esplêndido crescimento dessas seitas. Não há uma explícita negação daquilo que pode ser classificado como crendice popular e superstição. O fiel não precisa rever seus conceitos motivado por uma doutrina que o conduza a uma reflexão acerca de suas crenças anteriores, simplesmente não é preciso abandonar nada, não é preciso modificar sua ótica em relação ao que recebeu como herança do seu folclore e cultura. O fiel é conduzido a permanecer na ignorância, a mesma ignorância que justifica para esse mesmo fiel que basta ter fé para salvar-se, ou seja, um caminho religioso pavimentado por aparentes facilidades. O fiel permanece arraigado a superstições, e é estimulado diuturnamente pela seita a continuar nessa mesma situação de voluntária escravidão. Afinal, permanecer dentro da seita é a garantia de “corpo fechado”, de proteção.

O “pastor”, por sua vez, ocupa uma posição bastante similar a de um curandeiro, dententor de uma "magia boa”, antídoto que protege o fiel de toda uma miríade de riscos espirituais aos quais o mesmo está exposto fora da seita. E a seita ocupa grande parte de sua pregação em solidificar esses conceitos em seus fiéis, basta adentrar qualquer desses templos e o que se notará é uma sequência de pregações e testemunhos reforçando dia após dia a imagem de um mundo ancestralmente cheio de superstições. Serão pastores falando de feitiços, magias, bruxarias e demônios, e testemunhos de fiéis falando que foram libertados exatamente dessas coisas. Com tanta repetição, qualquer mentira passa virtualmente por verdade.

Por mais absurdo que pareça, a observação comprova essa relação de sujeição dos fiéis motivada pelo medo e ignorância, da mesma forma que atesta o comportamento vicioso dos pretensos pastores, o que os coloca no mesmo calibre dos curandeiros, feiticeiros e passistas que dizem combater.

Em geral, com os fiéis incentivados a relacionar sua fé cristã a fetichismos e crendices, não ocorre uma verdadeira conversão, não há um momento de íntima descoberta e encontro com o Cristo. Muito embora o slogan “encontrei Jesus” seja o mais repetido pelos adeptos de tais seitas, Jesus, nesse contexto, é tão somente um elemento a mais nesse processo de aprisionamento, e não o motor de uma grande mudança de vida. A mensagem cristã que lhes chega é bastante distante da real. E o "jesus'' que lhes é oferecido é tão somente aquele dos milagres e dos exorcismos, deixam de fora o real Jesus, que também exige uma verdadeira revolução moral na vida do fiel. Não importa QUEM é Jesus, mas o que Ele pode proporcionar.

Sob esse aspecto, inclusive, cabe fazer uma censura peremptória àqueles que se identificam como católicos e apegam-se a sincretismos, comportando-se da mesma maneira que os fiéis evangélicos que mencionamos. O sincretismo é um elemento estranho à fé católica, e o pretenso católico que o pratica está em grave estado de pecado. Não se pode ser católico e espiritista ou fetichista ao mesmo tempo. Não se pode servir a dois senhores. Entretanto, cabe lembrar, que ao contrário das seitas que aqui abordamos, a Igreja Católica condena e reprova de todas as formas tanto o pensamento quanto a manifestação supersticiosa. Fé católica e crendice são elementos amplamente dissociados, e não há espaço para contemporizações a esse respeito.

Ao recorrer a símbolos de magia, a seitas evangélicas contribuem para a solidificação de princípios amplamente contrários a fé cristã. E para maioria das pessoas que integram tais seitas, uma sessão de “descarrego” ou ir ao templo à meia-noite de uma sexta-feira 13 é algo que faz parte da fé cristã. Idéia que contraria frontalmente os fundamentos do cristianismo, que em sua origem e doutrina , é completamente avesso à crendice e ao fetichismo; a qualquer forma de relativização do poder de Deus. Se nem mesmo uma flor nasce sem a permissão do altíssimo, é absurdo imaginar então que mal-olhado é suficiente para lançar a vida de qualquer pessoa na falência, mas é isso que a seita ensina, mesmo que a biblia, a tradição e a patrística cristã afirme o contrário. Dessa forma, a seita envangélica distancia-se de tal forma da fé cristã, que em relação a ela guarda pouca ou nenhuma consonância.

Ao conduzir o fiel a acreditar que as práticas da seita referentes a “proteção” contra maldições é suficiente garantia de sua paz e integridade, o fiel é na verdade conduzido a colocar Deus como mero coadjuvante do poder da seita. Ou seja, Deus, apenas, não seria suficiente à sua necessidade de proteção. Uma prova bastante nítida desse processo de alienação religiosa, é a forma pródiga como essas seitas exploram pseudo exorcismos e testemunhos de fiéis que livraram-se de "feitiços, trabalhos e maldições" através da seita. Para o fiel, Deus, sem a seita "não surte efeito".


Em resumo, para essas seitas e seus pobres e enganados fiéis, sem as correntes, sem a falsa água do rio Jordão, sem o óleo de Israel fabricado no quintal, sem os descarregos teatrais, e para não deixar de citar, sem o “fantástico” shampoo sagrado, o cristianismo não acontece.

Elbson do Carmo